"O caráter é como uma árvore e a reputação como sua sombra.
A sombra é o que nós pensamos dela; a árvore é a coisa real."
(Abraham Lincoln)
A sombra é o que nós pensamos dela; a árvore é a coisa real."
(Abraham Lincoln)
Meu primeiro amor aconteceu aos 12 anos, com toda a turbulência que minha vida se encontrava, eu sentia o coração quase saltar do peito, quando via aquele moleque, empinando pipa na casa do amigo, que era meu vizinho. Seu nome era Wagner. Durou 7 anos. Tivemos um namorico, e terminou quando eu soube que ele iria se casar porque a garota dele estava grávida! Ah, os homens da minha vida!
Aos 20 anos conheci, no Ministério da Fazenda, o homem com quem eu realmente achei que fosse me casar. O Gilmar era a pessoa que mais se parecia comigo: sensível, apaixonado, determinado.


Nessa época eu comecei a me interessar pelo Espiritismo, por ter lido alguns tópicos que se encaixavam perfeitamente ao que eu pensava, e olha que eu pensava muito, a respeito de todas as coisas. Eu sempre saía caminhando pelas ruas e pensando sobre todos os acontecimentos da minha vida, passava horas no portão de casa, olhando para o céu e imaginando como seriam as determinações de Deus; se havia destino, causas e consequências.
Ele era de família espírita, ou quase, estudava, queria fazer Medicina. Nossas conversas eram muito agradáveis e o amor era sincero. O sexo foi algo natural e mesmo com meus bloqueios, era bom. Até quando certa vez, minha menstruação atrasou (sempre tive muitas reações com os anticoncepcionais daquela época) e veio a possiblidade de gravidez. Ele se desesperou e me disse que aquilo era o fim da vida que ele sonhava, que aquilo estragaria tudo e coisas que a sensibilidade masculina não tem idéia dos reflexos, especialmente para uma pessoa como eu. (Eu sempre digo que não é o que diz, mas "como" se diz). Foi só um atraso; ele passou na Puc de Sorocaba, e minha vidraça estava trincada!
No começo, a gente escrevia cartas toda semana. Eu não tinha telefone e não havia computadores ainda. Depois, para ajudar os pais, que bancavam a faculdade, ele começou a dar aulas, depois começaram as provas, os plantões e nosso amor não resistiu à distância e após cinco anos e meio juntos, acabou. Ele se casou em 1989, com uma médica de Campinas, após 1 ano de namoro. Tenho algumas dores por conta de coisas que prefiro não mencionar. Ainda tentei voltar a estudar, no ano em que terminamos, eu fazia cursinho, porque ia tentar Medicina de novo (era meu modo de tentar fazer parte do mundo dele, numa ilusão de que poderia!).
No ano seguinte conheci o pai da minha filha, Fábio, com quem tive uma relação muito tumultuada. Uma pessoa muito inteligente, fazendo exatas, agnóstico e com um histórico de alguns amigos suicidas por não aguentarem o peso dos questionamentos do ser. Engraçado que após o término do meu relacionamento anterior, muito perdida emocionalmente, eu pedi a Deus para me dar um caminho a seguir e uma pessoa de quem eu pudesse cuidar. Achei que fosse ele, mas ele era o intermediário para que eu tivesse minha filha. Tivemos 3 anos de idas e vindas, um aborto e a vinda da minha filha, que foi quem salvou minha vida.
O mais importante a relatar aqui é que foi demais para ele, a possibilidade de ser pai e ter que assumir uma família. E eu ainda acreditei que quando ela nascesse, ele mudaria de idéia, porque na minha cabeça, seria impossível não amar alguém que veio de você e de alguém que você ama.
Quando eu reli o que escrevi, percebi que faltou falar sobre muitas coisas que aconteceram, e que é difícil descrever umas tantas outras, mas à medida que novas meadas forem puxadas, voltarei a comentar sobre esse período.


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