"Não há satisfação maior do que aquela que sentimos
quando proporcionamos alegria aos
outros."
(M.Taniguchi)
Minha formação inicial foi católica, praticante, mas como disse anteriormente, as atitudes do padre me fizeram duvidar um pouco daquilo tudo e eu já achava um pouco estranho: pensar que aquelas imagens tinham poder real. Mas, sem dúvida eu tinha muito medo da ira de Deus. Era pecado mentir, falar mal das pessoas, responder para os pais e etc. Mas era meio tolo para mim, toda semana confessar os pecados, ter como punição rezar aquelas orações decoradas e depois pecar, rezar e...
Mesmo assim, fui crescendo acreditando que havia algo misterioso e fascinante, algo que eu não podia provar, mas que eu sentia ser verdade e que me dava alguma tranquilidade em meus dias não raros de desespero e solidão.
Minha vizinha, que era a pessoa mais próxima das minhas afeições adultas cotidianas, era adepta da Umbanda e chamava isso de espiritismo. Conheci os atabaques, o preto-velho e várias demonstrações de como esse "espiritismo" funcionava. Embora tivesse curiosidade, não era exatamente assim que eu achava que funcionava, porque tinha uns lances de bebidas, de palavrões e sacrifícios de animais, que me deixavam perturbada.
Na minha concepção de religião, seria tudo paz, amor e tranquilidade e aos poucos, fui rejeitando também essa opção.
Certa vez, li um artigo sobre Allan Kardec e a Doutrina Espírita e aquelas informações vinham mais ou menos de encontro com o que eu pensava. Passei a ler mais e mais, tudo aquilo que podia a respeito dessa Doutrina, que me fazia uma pessoa melhor e dava a paz que necessitava, além de respostas mais sensatas a respeito das eternos perguntas da humanidade.
Muitas coisas eram complexas demais para mim, mas os romances espíritas, especialmente da Z. Gasparetto, ajudavam a exemplificar o que dizia a teoria.
Devo muito a essa doutrina, pois a raiva e frustração que afloraram, depois de muitos anos, foram aplacadas pelas explicações que vinham dela.
Ter estudado psicologia também me fez bem do ponto de vista de controlar emoções e entender algumas das neuroses que me acompanham.
O que eu nunca consegui, foi me sentir parte do mundo. É como se eu fosse uma estranha entre iguais. Nunca consegui confiar inteiramente no amor das pessoas, mas acho que ninguém está inteiramente livre de suas neuras. Afinal, esse é o processo de progressão espiritual.
Tive muitos altos e baixos também no espiritismo, porque às vezes me irrita essa doação para com os outros, quando eu preciso tanto que doem para mim. É, falta muito para trilhar o caminho da perfeição...
Ultimamente não tenho lido, nem frequentado casas espíritas. Meus desequilíbrios tem aumentado e algumas vezes eu volto a conversar com Deus e os espíritos, peço desculpas e ainda para que eles tenham paciência comigo, pois ando mesmo cansada.

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