sexta-feira, 18 de junho de 2010

O caminho profissional



“Se alguém avança na direção
de seus sonhos e empenha-se em viver
a vida que imaginou, acaba
por conhecer um sucesso que nunca esperou.”
(Henry David Thoreau)


Do escritório da zona cerealista do Mercado Municipal à aposentadoria....
Foi uma longa jornada!
Chegando a adolescência e as necessidades de adquirir coisas de uso pessoal e não tendo nenhum suporte do meu pai, resolvi começar a trabalhar, e por sugestão de uma prima, começei como auxiliar de dois irmãos na Zona Cerealista. Pois é gente, já trabalhei na "Zona". (Meu passado me condena! hahahaha). Fiquei lá por mais ou menos 2 meses e aprendi  a falar "salamaleiko" (escrevo como se pronuncía, pois não sei como se escreve) e também sobre algumas malandragens masculinas, homens que tem esposa e amantes e conseguem conviver com ambas.
O seguinte foi um supermercado, por 3 meses, eu acho, e aprendi alguns costumes japoneses, soube que minha voz era considerada bonita ao microfone e transmiti minha honestidade, ao ser convidada a trabalhar no caixa, em dias de muito movimento, quando meu trabalho é de escritório.
O terceiro foi num escritório de contabilidade de um político famoso em Guarulhos: "Alan",de onde tirei minha maluca assinatura, por ter gostado da forma como um cliente assinava e que tinha as iniciais do "primeiro" pequeno amor que tive: o Wagner.
Aos 18, fui para a Cobrasfer, que vendia ferramentas pneumáticas e trabalhei com vendas internas. Fiquei um ano e aprendi que podia fazer várias coisas ao mesmo tempo: atender ao telefone, fazer a estatística e buscar preços (para deleite do meu chefe: Monsieur Claude Bernard. (P.S.: não havia computadores naquela época, então era algo inusitado, pelo menos para ele.) Conheci uma das pessoas mais alegres das que passaram pela minha vida: Paulina Montagnoli de Carvalho (meu carinho todo especial para você, pessoa tão especial e querida!).
Com 19 anos, entrei no SERPRO e fui para o Ministério da Fazenda, trabalhei no setor de Pessoas Físicas. Conheci outra amiga, que mantenho até hoje: a "Boba" - Vera Lefundes; e meu primeiro real amor: Gilmar. De lá eu aprendi sobre a morosidade dos processos, de quanto eu não gosto de lidar com papéis e burocracia e, principalmente, que minha vida finalmente teria uma pessoa que me amava e com quem eu queria formar uma família. Estive quase 3 anos por lá.
Em 1981, fui  convidada por uma amiga a tentar uma vaga, como técnica em Radioisótopos, no Hospital Beneficência Portuguesa. Foi uma loucura, pois ao chegar para a entrevista, o médico que me recebeu perguntou o que eu estudava e quando respondi "Psicologia", ele perguntou o que eu estava fazendo lá (bela recepção né Dr Shnaider!), eles normalmente só recebiam o pessoal de Farmácia e Bioquímica da USP. Como não era com ele que eu iria trabalhar, me passou para o Dr Oswaldo Gnecco, que me deu a difícil opção de estagiar um mês para ver se eu serviria para a vaga. Assim, pedi demissão do Serpro, estagiei no Laboratório, e apesar do meu total desconhecimento de anatomia e afins, ele viu minha boa vontade e empenho em aprender e me deu a chance de ficar. Ele me deu várias aulas sobre o funcionamento do corpo humano, seus sistemas  e afins, e é um dos responsáveis por eu amar tanto a área da saúde e fazer um bom atendimento, com respeito e consideração ao paciente. (Dr Gnecco, meu amor para você, onde quer que esteja!).
Trabalhei no BP por 14 anos, lá tive uma família, formada por cada pessoa que conheci, entre elas: Dr Lara, Cléia, Natsu, Cida, Zezé e muitos outros, entre pacientes, funcionários e visitantes.
Minha filha nasceu lá e tenho muito orgulho de ter feito parte daquela cidade que o Hospital se tornou. (meu eterno amor por aquele lugar tão especial para mim!).
Nesse meio tempo, ainda tentei atuar como Psicóloga, mas nunca me senti preparada para lidar com as emoções alheias, já que as minhas estavam sempre conturbadas. Tenho muito respeito pelos sentimentos alheios e temo por aqueles que inconscientemente ou não, dão diretrizes equivocadas, ainda que com boa intenção, aos que estão fragilizados. Embora saiba que a função do psicólogo é justamente ser imparcial nesse sentido.
Em 1997, por razões financeiras, pois precisava pensar no futuro da minha filha, fui para o Laboratório Delboni Auriemo, hoje Diagnósticos da América, e trabalhei lá por 10 anos. O salário era melhor, mas nunca me senti parte daquele lugar como me sentia no BP. Fiz alguns amigos e por levar tão a sério a lealdade, acabei por ser mandada embora. Não quero entrar em detalhes sobre isso. Nos últimos dois anos trabalhados, pensava em me aposentar e usufruir um pouco do meu tempo em atividades como artesanato, academia e viagens. Entretanto, a dura realidade da aposentadoria, pois recebi apenas 52% do que recebia normalmente, vi meu  sonhos caírem por terra e o que ganhei foi uma difícil depressão após 6 meses de "vida de aposentada".
Como sempre há uma lição a ser aproveitada, passei a fazer produtos artesanais (sabonetes e afins; pães de mel e alfajores; trufas e outras fases.
Em fins de Junho deste ano, prestei um concurso para trabalhar no SESC como Auxiliar de Atendimento, o salário não é tão bom e é o dia todo, mas foi o melhor que pude encontrar, já que meu currículo não foi aceito em nenhum dos lugares para os quais enviei. Acho que ter 50 anos é algo negativo nesse aspecto. Tenho esperanças de passar, pois fui bem na prova, que é aplicada pela VUNESP. Agora é esperar pela dinâmica de grupo e afins.