quarta-feira, 5 de maio de 2010

Da adolescência

"O sofrimento precisa ser superado, e o único meio de superá-lo é suportando-o." Carl Sagan








Começou com a minha entrada para a quinta série e o primeiro trabalho em grupo foi na minha casa para o orgulho da mamãe. Depois a alegria de saber que eu teria uma irmã, pois ela estava grávida e o nascimento estava previsto para o mês do meu aniversário. A morte das duas. O vazio que minha alma sentiu e ainda sente. Meu pai ausente e desequilibrado, que me deixou profundas marcas e a desconfiança nos homens. Meu primeiro amor. O handball, as corridas e as novidades na escola. A tristeza de ter ser adulta no corpo de uma criança. A sensação de que todos sabiam que minha mãe estava viva em algum lugar e só eu não sabia onde. O desejo de me sentir amada e respeitada, desejando desesperadamente um "príncipe", um lar e três filhos dos sonhos.
Os onze anos foram marcados por essa enorme perda. Eu estava começando a perceber que tínhamos coisas em comum. Ela tinha enxaquecas freqüentes e ficava deitada com rodelas de batata na testa para melhorar. Nos últimos dias me pediu para lavar uma camisa do meu pai e ficou feliz por eu ter conseguido. Eu ia poder cuidar da minha irmãzinha. Sempre gostei de crianças, muitas vezes saía brincando com elas, nos colos de seus pais e quase me perdia da minha mãe. Naquele dia 19 de abril, eu tinha ido para a escola e quando cheguei, no fim da tarde, minha vizinha disse que ela tinha ido ter a minha irmã. Fiquei tão feliz! No dia seguinte, meu pai tinha ido trabalhar e eu não entendi por que ele não estava com ela. Estava estranhamente preocupada e quando eram 9h, tive uma visão horrível, dela se debatendo em agonia. Fui até a "venda" e pedi para ligar para o hospital. A voz do outro lado perguntou: - O que você é da paciente? -Filha... - Fala para o seu pai vir imediatamente ao hospital, porque ela está passando muito mal. (Uma dor intensa!) Ela tinha falecido às 6h. Peguei um táxi, fui ao serviço do meu pai, dei o recado, fui deixada em casa e duas horas depois, minha tia conversava com a vizinha, dizendo não saber como contar. Eu ouvindo tudo pela janela!




Nenhum comentário:

Postar um comentário