Hoje eu acordei com saudade de você.
Fiquei triste em lembrar como me sentia feliz em encontrá-lo, e dos
poucos momentos que desfrutávamos juntos.
Lembrei principalmente do seu sorriso, da nossa intimidade e de quanto
seu semblante ficava leve, sem toda aquela amargura e desconforto que tanto o
atormentavam.
Pensei em como me senti traída quando você se casou, pois havia me dito
que jamais se casaria. “Sempre e nunca” realmente são palavras que não se deve
dizer.
Pois é, se fosse para se casar, deveria ter sido comigo. “Eu” estive com
você naqueles momentos de tormenta. “Eu” vi você se escondendo dos professores
por vergonha de si mesmo. “Eu” ouvi suas histórias aterrorizadoras, algumas das
quais acabaram em suicídio. “Eu” estive inteira com você!
“Eu” quis agradá-lo sexualmente, quando minha sexualidade estava em
colapso, por conta de dores anteriores.
“Eu” tive uma filha sua e esperei por muito tempo que você se
estabilizasse e pudéssemos ser uma família, pois acreditei que havia amor entre
nós. (Verdade que nunca me prometeu nada, tenho que admitir).
Eu amei tanto você!
Hoje, tantas vezes olho para o lado vazio da minha cama e sinto falta
das nossas brincadeiras, do abraço, dos carinhos e da nossa intimidade. Foram
poucas vezes, mas significaram muito para mim.
É claro que também me lembro das dores que prefiro omitir aqui, e que se
meu coração fosse sensato, me faria vê-las do tamanho que realmente são e não
minimizadas pelos meus sentimentos.
Hoje eu me lembrei de você e tive saudade, de um tempo que não vai
voltar e da vida que eu deixei passar.
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