segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Pessoas e seus universos




“Auto-conhecimento é o grande poder pelo qual nós compreendemos e controlamos nossas vidas."
(Vernon Howard)




Tenho feito algumas tentativas para voltar a trabalhar e tendo preenchido um cadastro para Pesquisas da Fipe, fui chamada para participar de uma Pesquisa do Instituto Unibanco que auxilia escolas estaduais da periferia, a promover melhorias nas ditas escolas, com a participação da comunidade. Trata-se de uma parceria da Fipe, USP e do Instituto. Assim, foram montadas equipes de aplicadores de questionários, que visam (os questionários), conhecer o público do ensino .

Certamente o dinheiro me atraiu primeiramente, mas ao ser informada do objetivo, fiquei bastante interessada em conhecer esses adolescentes, pois a única referência que tenho , é do meu próprio  tempo de estudante, o que me deixou, no mínimo curiosa.
A cidade de Guarulhos é realmente grande e o lugar para o qual fui designada, fica a 40 minutos da minha casa, o que não deveria ser tão discrepante,mas foi.
Sempre me sinto um pouco culpada pela extrema pobreza que algumas pessoas experimentam, mas essa experiência me mostrou algo além disso. Sei que acaba virando um círculo vicioso, mas é muito triste ver pessoas que tem pouquíssima chance de serem bem sucedidas no futuro. E eu não estou falando de médicos, engenheiros, arquitetos ou advogados; falo de pessoas que consigam ter uma formação mínima e poder viver com dignidade.
Experimentei fatos tais como: não conseguiram ler o conteúdo do questionário,
Não sabiam, em grande maioria, o que é um salário remunerado;
Não conseguiam fazer o cálculo de quantas horas trabalhavam por semana;
Uma aluna me perguntou o que era forno de microondas;
A maioria é indisciplinada e alguns falam com desrespeito com o professor e tratam-se entre eles, aos “palavrões”. Fiquei chocada!
Cerca de 70% não conseguiu terminar de responder ao questionário, por demora em entender as questões.
Meninos e meninas que estão quase certamente destinados a formarem famílias tão deficientes quanto eles próprios. Quase nenhum deles tem a percepção de que precisam se esforçar, ler e se interessar, se quiserem ter uma vida um pouco mais digna.
Nota-se o círculo: família desestruturada, ausência de amor, alimentação deficiente, disciplina inadequada e falta de exemplos, estímulos e conscientização. E alguns já são pais e mães, iniciando novo triste ciclo.
Eu sinceramente não sei como iniciar uma mudança, mas me entristeço por achar que essas coisas estão longe de serem resolvidas de uma forma satisfatória. A boa notícia é que alguns países conseguiram reverter essa situação e espero que tenhamos a sabedoria para iniciar o quanto antes.
Tenho algumas teorias de por que essas situações acontecem, mas é triste também, por outro lado, ver tanta gente gastando tanto com coisas tão inúteis, enquanto que alguns não tem nem mesmo direito a dignidade. E olha que eu não estou falando em abandonar o conforto, somente em extirpar os excessos.
Que tenhamos sabedoria!



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