segunda-feira, 12 de julho de 2010

Sobre habilidades



“A maior parte de nossa felicidade
 depende de nossa atitude e
não das circunstâncias."
(Martha Washington)



Pintura em tela com prof.Angela em 2006



Engraçado como eu sempre me achei sem vocação para coisa alguma. Morria de admiração quando alguém dizia que nasceu para fazer isso ou aquilo. Na verdade eu queria fazer muitas coisas e como nunca era possível por conta da condição miserável em que vivíamos, fui desistindo pouco a pouco, de quase tudo.
Quando criança, queria ser professora, achava que saber e poder ensinar era algo fantástico (ainda acho);
depois quis ser atriz, pois interpretar, dançar e cantar era algo energético e fazia da minha vida monótona, algo incrívelmente mágico.
Na adolescência, queria muito jogar handball e ser da seleção pra sempre.
Quando comecei a trabalhar, senti muito amor pelo hospital, pacientes, e a parte humanitária de mim falou mais alto e talvez o que eu não conseguia consertar em mim, poderia ser feito pelos outros, e acabei por querer fazer medicina, o que a realidade me mostrou não ser possível again. Optei, então, por Psicologia. A paixão durou até eu descobrir que precisava de terapia e muitos curso de especialização, para ser tão boa quanto desejava e me conformei em estar prestando serviços num hospital, como técnica e conseguindo pagar minhas contas e "cuidando" da família. Trabalhei por 30 anos como técnica em Medicina Nuclear e acabei me aposentando como tal.
Nesse meio tempo, tirei carta de motorista, rompi um namoro de 5 anos e meio, tentei fazer vestibular para Medicina, tive um namoro conturbado e tive a minha filha, tentei estudar inglês sozinha, fiz um curso inacabado de Prótese Dentária no Senac e aulas de pintura em tela (alguns até saíram bons).
Quando estava prestes a me aposentar, a frase que eu mais dizia era "Quando eu me aposentar...." vou fazer academia, meus cursos de artesanatos, a dieta pois engordei 30 quilos em 20 anos, viajar e aproveitar a vida.
Bom, me aposentei, o salário caiu 48%, não consegui terminar de pagar o apartamento, pois fui demitida e várias coisas ficaram pelo caminho.
Há cerca de um ano, resolvi começar a fazer algo para aumentar a renda, então comecei a pesquisar sobre sabonetes artesanais e similares. Gostei, comprei os materiais e fiz muitas coisas interessantes, mas não foi pra frente. Vendi algumas coisas, recebi alguns elogios e ficou por isso mesmo. A verdade é que sou boa para fazer, mas não sei vender. Sou um fracasso nessa parte.
Antes disso tive uma temporada de fazer pães: integral, centeio, doce, recheado, grãos,etc. Eram bons também.
Depois dos sabonetes, a Alice sugeriu que eu fizesse algum alimento, pois todos compram coisas para comer, comecei a fazer pães de mel e alfajores. Fez sucesso. Ela levava para o Cursinho e tivemos uns meses de boas vendas. Quando terminou o ano, estava muito calor e sem cursinho, as vendas começaram a cair até não vendermos nada. Mas comemos tudo! ahahaha
Este ano eu quis enfrentar as trufas que não deram certo ano passado e elas finalmente deram certo. Minha hesitação em sair para vendê-las é que estragou muito do meu sucesso. Depois de um tempo, a Alice acabou levando para a USP e vendia um pouco. Bem pouco comparado ao cursinho,mas tudo bem.
Agora, mês de Julho, após terminar aulas e provas de inglês, resolvi pegar umas receitas de casaquinhos de bebê em trico pela net e, pasmem, ficou bonitinho. Para combinar fiz também um sapatinho;e  outro, que deu meio errado e uma meia meio estranha, mas que quase se parece com uma meia (haha) para a Alice.
Acho que habilidade é persistência!

Alfajores e Pães de mel



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