“Você tem que acentuar o positivo,
eliminar o negativo, e
juntar-se ao afirmativo.
Não se meta como “Sr Do Meio”.”
(Louis Armstrong)
Desde os 30, venho me sentindo sozinha e ouvindo de muitas pessoas, que devo olhar mais para os lados e não ser tão exigente. Fica difícil, quando se tem uma vida como eu tive, mas ano passado resolvi que poderia arriscar e me deixei interessar por uma pessoa.
Sempre gostei de homens altos, inteligentes, críticos. O problema é que um ar arrogante e anti-social, vem sempre junto com o pacote. E homens assim vão querer, em geral, mulheres jovens, bonitas e com um corpo bonito, coisas que não estão presentes em mim. Bom, não posso reclamar da minha beleza, mesmo aos 50, a genética me favoreceu um pouco (em beleza somente, mas nada fora do comum).
Voltando ao homem, encontrei um que, inteligente, bem informado e com uma consciência, que a princípio me encantou, sobre bons hábitos e preocupações com, por exemplo, o aquecimento global. Tinha também uma sensibilidade sutil.
Facilmente confundi gentileza com atenção e começei a alimentar uma relação que não existia, ou existia somente na minha fértil imaginação.
Conseguia admirá-lo a ponto de não conseguir expor minhas opiniões, coisa que já não faço bem normalmente. Mas via olhares e gentilezas e atenções exclusivas e coisas que eu precisava ver.
Após um tempo, descobri que ele é gay, achei um blog e muitas revelações, que não foram suficientes para me fazer desistir, pois em minha mente insana e esperançosa, havia a crença de que ele estivesse só perdido e quem sabe, teria pensado melhor e buscasse, por "coincidência", uma mulher mais velha, mais experiente e com quem tivesse alguma afinidade. (quando a gente quer se iludir, ninguém segura!!!).
Navegando por esses mares, após receber uma indenização, resolvi fazer uma viagem à Europa e começei a colocá-lo em meus planos.
A realidade meio que me alertou, pelo fato dele não ter respondido a um e-mail, onde eu me declarei apaixonada e ciente da história dele, além de dar os detalhes de como ele teria me interessado e de citar meus desejos de fazermos a viagem à Europa juntos e conhecê-lo melhor. Tudo no meu melhor estilo, "caso você queira" ou "just in case" ou ainda, "se nada disso fizer sentido para você, posso entender".
A decepção maior veio quando nas últimas vezes que nos encontramos, ele claramente me ignorava e se mostrava hostil e mal educado com todos (estávamos em um grupo).
Conclusão: fiz a viagem sozinha, imaginando como poderia ter sido. Foi um bom momento, mas muito longe do que eu gostaria e, depois de algum tempo, ainda é muito constrangedor encontrá-lo.
O que realmente aconteceu foi que, por sugestões outras, resolvi tomar as rédeas da situação e me precipitei em tentar validar um relacionamento que nunca existiu. Na verdade, eu queria ter vivido aquelas situações que só acontecem em filmes, de você arriscar uma situação nada a ver e dar certo.
A gente sequer conversou um pouco e nada indicou que havia alguma afinidade entre nós. Pura viagem da minha parte. Se conseguir, ainda gostaria de me desculpar com ele, embora ache que poderia pelo menos ter dito ou escrito, "sinto muito, não tem nada a ver o que você achou, eu realmente não faço parte disso, você se equivocou". Mas aí também já é pedir demais para alguém como ele.


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