
Durante
anos lutei contra a desconfiança de que minha mãe estivesse viva em algum
lugar, de que todos soubessem, menos eu – eu via nos olhares ora constrangidos
ora zombeteiros das pessoas.
Os
anos se passaram, ela não veio – talvez porque estivesse mesmo morta – ninguém vem,
ainda que prometam enquanto vivos.
Passados
mais alguns horrores, pensei ter encontrado o amor e a solução dos meus
problemas, o que sonhei por tantos anos, mas novamente a tal felicidade me
escapou pelos dedos.
Encontrei
ainda outro amor, outros tantos problemas e desencontros, e finalmente fui mãe;
e para não perder a viagem, perdi minha outra mãe também – aquela que por
alguns anos esteve comigo com dedicação e amor sinceros.
A
maternidade impõe dedicação, cuidados, conflitos e renúncias. Com acertos e
erros- talvez mais os últimos, fiz minha parte da melhor maneira que pude.
Passaram-se
outros tantos anos e quando pensei ter a
oportunidade de obter companheirismo, percebi que mais uma ilusão caiu por
terra. E ainda fui acusada de nunca apoiar em nada.
Certamente
o mundo exterior é mais acolhedor, pois se usa mascarar o verdadeiro eu e se
mostrar assim uma pessoa adorável.
O
companheirismo está em se valorizar e preservar aquilo que o outro conquistou
com sacrifício. É muito fácil dizer que não nasceu para certas atividades,
especialmente quando alguém as faz por você.
Enfim,
é muito triste saber que talvez não seja possível encontrar alguém que valorize
as mesmas coisas que a gente, mas se tenho mesmo que viver mais, devo que
encontrar um meio de sobreviver (de novo!).
Nenhum comentário:
Postar um comentário