sábado, 29 de outubro de 2011

Desventuras em série


Durante anos lutei contra a desconfiança de que minha mãe estivesse viva em algum lugar, de que todos soubessem, menos eu – eu via nos olhares ora constrangidos ora zombeteiros das pessoas.
Os anos se passaram, ela não veio – talvez porque estivesse mesmo morta – ninguém vem, ainda que prometam enquanto vivos.
Passados mais alguns horrores, pensei ter encontrado o amor e a solução dos meus problemas, o que sonhei por tantos anos, mas novamente a tal felicidade me escapou pelos dedos.
Encontrei ainda outro amor, outros tantos problemas e desencontros, e finalmente fui mãe; e para não perder a viagem, perdi minha outra mãe também – aquela que por alguns anos esteve comigo com dedicação e amor sinceros.
A maternidade impõe dedicação, cuidados, conflitos e renúncias. Com acertos e erros- talvez mais os últimos, fiz minha parte da melhor maneira que pude.
Passaram-se outros tantos anos e quando pensei ter  a oportunidade de obter companheirismo, percebi que mais uma ilusão caiu por terra. E ainda fui acusada de nunca apoiar em nada.
Certamente o mundo exterior é mais acolhedor, pois se usa mascarar o verdadeiro eu e se mostrar assim uma pessoa adorável.
O companheirismo está em se valorizar e preservar aquilo que o outro conquistou com sacrifício. É muito fácil dizer que não nasceu para certas atividades, especialmente quando alguém as faz por você.
Enfim, é muito triste saber que talvez não seja possível encontrar alguém que valorize as mesmas coisas que a gente, mas se tenho mesmo que viver mais, devo que encontrar um meio de sobreviver (de novo!).

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