As escolhas
Por duas vezes ouvi dizer que alguém morreu de tristeza. Uma dessas pessoas era relativamente próxima a mim.
Essa pessoa de nome A. era rica e muito autoritária. Outra pessoa de nome M. foi trabalhar na casa de A., e ficou por lá por pouco mais de 50 anos. Elas viveram muitas coisas, boas e más, como acontece com quaisquer pessoas que vivam juntas.
Nos últimos anos de vida de M., A. estava tornando-se insuportável, sei lá se pela velhice, ou por ser o jeito dela ser mesmo. Acontece que M. já não tolerava mais suas grosserias e pensava seriamente em deixá-la e seguir com o que lhe restava de vida.
O destino porém, senhor do tempo e dos resgates, fez com que M. falecesse e quando A. foi informada do acontecido, uma enorme apatia tomou conta de seu ser e, tendo se recusado a se alimentar, faleceu um mês após sua companheira de tantas alegrias e pesares.
A outra história que ouvi foi sobre uma moça, que em tempos de guerra, foi obrigada pelos seus algozes, a matar a própria filha e, passado alguns dias também faleceu de tristeza.
A frase: “Cuidado com o que deseja, pois pode conseguir.”, nos alerta sobre o fato de conseguir o que deseja, mas não da forma como se deseja.
Uma mulher sonhou desde a adolescência com um bom marido e filhos, porque isso , uma família, faltou-lhe após o falecimento de sua mãe.
Num determinado momento da vida, após tantos encontros e desencontros, ela encontrou um homem, o qual ela achou ser seu companheiro, pois ela era dessas pessoas que precisam de alguém do lado para suprir suas carências. Mas não foi dessa vez.
De outro relacionamento também conturbado, nasceu seu único rebento e, durante a ausência permanente do seu homem, o amor pelo filhote supriu as necessidades de afeto.
Acontece que os filhos crescem e têm opiniões próprias e necessidades diferentes e em geral são guiados pelo mundo externo, que aparentemente tem tantos atrativos e promessas, que nada mais importa senão suas realizações pessoais.
E como quase sempre acontece, os pais, nesse caso, a mãe, tem as características de nunca apoiar, nem compartilhar, de ser um bicho arisco e autista.
Acontece que não sendo muito evoluído, ♫...o perdão também cansa de perdoar...♫.
Quem acusa de não receber apoio, apóia ou só quer ser apoiado.
Você compartilha com os desejos do outro ou só quer que compartilhem com você, sobre você e você e...você.
Consegue se lembrar da última vez que fez mais do que só lavar uma louça ou limpar a sujeira do cão? Ah, mas isso não é importante, o importante é estar juntos, é compartilhar acontecimentos!
Ah é? Você conhece alguma casa que se limpa sozinha, roupa que se lava e passa sozinha, cão que toma banho sozinho, que lava a própria roupa, cama e utensílios. E um cão que compre ração? Casa que vá ao supermercado e supra as necessidades da família? Que família!?
Desculpe, o amor é bom, mas limpeza é essencial.
O pior de tudo é a cara de não sei o que está acontecendo, não sei o que eu fiz. Eu não percebo que faço isso.
Quando vai notar? Quando espera crescer? Quando vai parar de ser o centro das atenções e acordar para a vida? Quase 22.
Mas você tem mais tempo do que eu!
E você é mais jovem do que eu, tem mais saúde do que eu...,e mora aqui, pelo menos por enquanto!
Enquanto isso expresso minha tristeza e desapontamento, ficando calada e vivendo minha solidão como posso.
E vou limpando, lavando, passando, comprando, cuidando e mesmo perdoando, até quando agüentar.
E tudo o que essa mulher lamenta, é não ter encontrado ainda a pessoa que ela passou a vida procurando. Mas o destino, senhor dos resgates, deve ter um bom motivo para fazer assim. E, se cada um recebe aquilo que merece, não quero nem imaginar o que essa mulher andou aprontando em suas vidas anteriores!
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