Na última postagem eu relatava os primeiros acontecimentos do ano.
As coisas mudaram um pouco, embora as dores me incomodem ainda, parece que a gente se acostuma com tudo mesmo.
Uma grande preocupação tem sido com meu aumento progressivo de peso, que gera depressão e consequentemente me faz comer mais. Por conta das dores, não faço exercícios e o círculo vicioso se fecha.
Estou precisando mesmo é de amor e algo que me traga felicidade! Mas parece que algumas pessoas simplesmente não têm direito a alguns privilégios.
É verdade que ao começar a dar aulas numa escola de inglês, minha filha pode me oferecer o curso grátis e isso foi uma motivação.
Poucos dias depois, fiquei sabendo que a escola precisava de alguém para montar uma pequena lanchonete, pois os alunos só tinham uma possibilidade, que além de cara, tinha o atendimento muito demorado. Assim, empolgada, voltei a fazer os pães de mel e alfajores, e numa atitude precipitada, pois não havia recebido o aval final, comprei uma boa quantidade de materiais, refrigerantes e utensílios.
A resposta foi um não, que me deixou sem chão e mais uma vez desapontada com a minha sorte. A esperança veio em forma de trazer doces e tortas e oferecê-las aos funcionários e alunos, em dias de aula, meus e da minha filha. Funcionou e tem funcionado, o que me deixou um pouco mais feliz.
Algum tempo depois, recebi a sugestão de fazer alfajores, 500 ou 600 unidades, para um casamento, em julho. Fiz uma receita inteira em miniatura, para testar a quantidade e fornecer preço. O resultado foi bom e as pessoas gostaram bastante do tamanho. (Nenhuma resposta ainda sobre os do casamento, só para constar).
Agora em tempo de Páscoa, recebi alguns pedidos de Ovos(6) para uma troca entre amigos estudantes, na universidade onde minha filha estuda e com isso, voltei a fazer trufas também. Sou grata pela oportunidade de trabalhar e ganhar algum dinheiro, mesmo com períodos críticos de dor.
O inglês é minha única válvula de escape, é quando eu tenho um pouco de contato com o mundo e suas possibilidades.
Sonho acordada em ganhar na mega-sena e poder morar na Inglaterra ou Escócia, andar pelos parques, andar de bicicleta, ter uma casa grande onde more uma família grande, mesmo não sendo minha, com quem eu possa conversar, crianças para brincar, ler e ensinar coisas simples, sem televisão em excesso, sem internet e sem solidão, mas com paz. Eu me vejo no campo, viajando e conhecendo lugares e pessoas, sem me preocupar com o dinheiro, nem com a má vontade, tendo companheirismo, união e lealdade.
Pois é, de sonho eu entendo! E de dura realidade também!
A forma como vivo não é, nem de longe a vida que eu gostaria de ter. E nem posso me queixar tanto assim. Consegui ter uma filha, minha morada, meu carro, não passo fome, não moro em lugar violento, tenho algumas coisas que muitos não têm. Sou ingrata, não estou feliz!
Talvez seja a falta de Deus, mas não tenho conseguido chegar perto dele. Minha fé está muito abalada. Se ele existir, não vai desisitir de mim. A gente se encontra qualquer hora em algum lugar...

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